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Solange Lopes

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Welcome

 


 
 
 
 
Louvando a Jesus...
 
Que seu dia seja tao iluminado
quanto a luz do sol 
 
  

 

                        

  
                      

Obrigado Senhor!

Obrigado Senhor pelos meus braços perfeitos...

Quando há tantos mutilados.

Pelos meus olhos perfeitos...

Quando há tantos cegos.

Pela minha voz que canta...

Quando tantas emudecem.

Pelas minhas mãos que trabalham... Quando tantas mendigam.

É maravilhoso Senhor!

Ter um lar para voltar...

Quando há tantos que não tem onde ir.

Sorrir...quando há tantos que choram.

Amar...quando há tantos que odeiam.

Sonhar...quando há tantos que se

revolvem em pesadelos.

Viver... quando há tantos que

morrem antes de nascer.

É maravilhoso Senhor, ter tão pouco

a pedir e tanto para agradecer...

 

          Entrega teu caminho ao Senhor , confia Nele , e Ele  tudo o fara

                        (  Prov 11,30) 

<
 

 
 

Rosa

 
 

 

          Rosa

           ( Pixinguinha / Otavio de Souza )

 

          Tu és, divina e graciosa
          Estátua majestosa do amor 
          Por Deus esculturada
          E formada com ardor
          Da alma da mais linda flor
          De mais ativo olor
          Que na vida é preferida pelo beija-flor

          Se Deus me fora tão clemente 
          Aqui nesse ambiente de luz
          Formada numa tela deslumbrante e bela

            Teu coração junto ao meu lanceado
          Pregado e crucificado sobre a rosea cruz

          Do arpante peito seu
          Tu és a forma ideal
          Estátua magistral Oh alma perenal 
          Do meu primeiro amor, sublime amor
          Tu és de Deus a soberana flor
          Tu és de Deus a criação
          Que em todo coração sepultas um amor
          O riso, a fé, a dor


          Em sândalos olentes cheios de sabor


          Em vozes tão dolentes 
          quanto um sonho em flor
          És láctea estrela 
          És mãe da realeza
          És tudo enfim que tem de belo

          Em todo o resplendor da Santa Natureza
          Perdão, se ouso confessar-te 
          Eu hei de sempre amar-te
          Oh flor meu peito não resiste
          Oh meu Deus o quanto é triste

          A incerteza de um amor 
          Que mais me faz penar em esperar 
          Em conduzir-te um dia 
          Ao pé do altar
          Jurar, aos pés do Onipotente
          Em preces comoventes de dor
          E receber a unção de tua gratidão

          Depois de remir meus desejos
          Em nuvens de beijos
          Hei de envolver-te até meu padecer
          De todo fenecer


  

 

Luis Fernando Verissimo


 Às vezes

Luiz Fernando Veríssimo
 

Às vezes as pessoas que amamos nos magoam
E nada podemos fazer senão continuar nossa jorna
Com nosso coração machucado.
Às vezes nos falta esperança.

Às vezes o amor nos machuca profundamente,
E vamos nos recuperando muito lentamente,
Dessa ferida tão dolorosa.

Às vezes perdemos nossa fé,
Então descobrimos que precisamos acreditar,
Tanto quanto precisamos respirar...
É nossa razão de existir.

Às vezes estamos sem rumo,
Mas alguém entra em nossa vida,
E se torna o nosso destino.

Às vezes estamos no meio de centenas de pessoas,
 E a solidão aperta nosso coração
Pela falta de uma única pessoa.

Às vezes a dor nos faz chorar, nos faz sofrer,
Nos faz querer parar de viver,
 Até que algo toque nosso coração.
Algo simples como a beleza de um pôr do sol,
A magnitude de uma noite estrelada,
A simplicidade de uma brisa batendo em nosso rosto,
É a força da natureza nos chamando para a vida.

Você descobre que as pessoas que pareciam ser sinceras
 E receberam sua confiança,
Te traíram sem qualquer piedade.

Você descobre que algumas pessoas nunca disseram
"eu te amo",
Que outras disseram "eu te amo" uma única vez,
E agora temem dizer novamente, e com razão.
Mas se o seu sentimento for sincero
Poderá ajudá-las a reconstruir
 um coração quebrado.

Assim, ao conhecer alguém,
Não deixe de acreditar no amor,
Mas certifique-se de estar entregando
Seu coração para alguém que dê valor
Aos mesmos sentimentos que você dá.

Certifique-se de que quando estão junto
Aquele abraço vale mais que qualquer palavra.

Esteja aberto a algumas alterações,
Mas cuidado pois se essa pessoa te deixar,
Então nada irá lhe restar

Tenha sempre em mente
Que às vezes tentar salvar um relacionamento, 
Manter um grande amor
Pode ter um preço muito alto
Se esse sentimento não for recíproco,
Pois em algum outro momento
Essa pessoa irá te deixar
E seu sofrimento será ainda mais intenso
Do que teria sido no passado.

Pode ser difícil fazer algumas escolhas,
Mas muitas vezes isso é necessário
Existe uma diferença muito grande
Entre conhecer o caminho e percorrê-lo.

Não procure querer conhecer
Seu futuro antes da hora,
Nem exagere em seu sofrimento,
Esperar é dar uma chance à vida
Para que ela coloque a pessoa certa
em seu caminho.

A tristeza pode ser intensa,
Mas jamais será eterna.

A felicidade pode demorar a chegar,
Mas o importante é que ela venha para ficar
E não esteja apenas de passagem



 







Fernando Pessoa

 

 

O amor, quando se revela... 
Fernando Pessoa


xxxx

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar. 
Sabe bem olhar p'ra ela, 
Mas não lhe sabe falar. 



Quem quer dizer o que sente 
Não sabe o que há de dizer. 
Fala: parece que mente 
Cala: parece esquecer 



Ah, mas se ela adivinhasse, 
Se pudesse ouvir o olhar, 
E se um olhar lhe bastasse 
Pra saber que a estão a amar! 
Mas quem sente muito, cala; 
Quem quer dizer quanto sente 
Fica sem alma nem fala, 
Fica só, inteiramente! 



Mas se isto puder contar-lhe 
O que não lhe ouso contar, 
Já não terei que falar-lhe 
Porque lhe estou a falar...

 

  

 


 
 
 
 

 

 

Cecilia Meireles

 



                                       Cecília Meireles    

                                        '' I put my dream in a ship
                                                 and place the ship   upon the sea,
                                                - then, I opened the sea with my hands,
                                                 so that my dream would sink.
''  


 


                Motive


I sing because the moment exists

And my life is complete because I know it.

I am not happy, I am not sad.

I am a poet.

 

Brother to things that are fleeting,

I feel no joy, nor have mistakes to mend,

I go through nights and days wandering

In the wind.    

 

Will I destroy and build again?

Will I stay whole or fall apart?

- I don’t know, I don’t know. Will I remain?                                                           

Will I depart?

 

Yes, I sing. To me a song is everything,

It has eternal blood and rhythmic wing to soar.

And I know someday I will be mute and still

- and sing no more.








 



                                        

  

 

                                          

            Elegia (Elegy)                                                                       

       “My first tear fell upon your eyes.”
       I did not dry it, afraid to let you know it had fallen.

      The following day you were lying still, in your final pose,
       Set by the night, by the stars, and by my own hands.

       You had the coldness of the morning dew;

       the white clearness of the moon.

       I saw the sun rise and remain ignored by your eyes,

       And  the songs of birds and of flowing brooks
       Were dead sounds to your lifeless ears

           Where is your other you? In the wall?  The furniture? The ceiling? 
       I leaned over your face, sure of myself, as if I were a mirror,
       And sadly searched for you.
       But that, too, was to no avail, like everything else



 


                   
                    

  “Freedom” is a word,
Nurtured by our human dreams,
That nobody can explain,
But we all know what it means!''





                                 POEMA DO AMOR PERFEITO -
                                 Cecilia Meireles

                         Naquela nuvem, naquela,
                          mando-te meu pensamento:
                          que Deus se ocupe do vento.

                          Os sonhos foram sonhados,
                           e o padecimento aceito.
                           E onde estás, Amor-Perfeito?

                           Imensos jardins da insônia,
                           de um olhar de despedida

                            deram flor por toda a vida.

                            Ai de mim que sobrevivo
                             sem o coração no peito.
                            E onde estás, Amor-Perfeito?

                             Longe, longe, atrás do oceano
                             que nos meus olhos se aleita,
                             entre pálpebras de areia…

                              Longe, longe… Deus te guarde
                              sobre o seu lado direito,
                              como eu te guardava do outro,
                               noite e dia, Amor-Perfeito.




        Canção do Amor-Perfeito
        Cecilia Meireles

      Eu vi o raio de sol
       beijar o outono.
       Eu vi na mão dos adeuses
       o anel de ouro.
       Não quero dizer o dia.
       Não posso dizer o dono.

       Eu vi bandeiras abertas
       sobre o mar largo
       e ouvi cantar as sereias.
       Longe, num barco,
       deixei meus olhos alegres,
        trouxe meu sorriso amargo.

        Bem no regaço da lua,
        já não padeço.
        Ai, seja como quiseres,
        Amor-Perfeito,
        gostaria que ficasses,
         mas, se fores, não te esqueço.

             Cecília Meireles, in 'Retrato Natural'



 

 
 

 

  

 


                             Serenata

                                                             Permita que eu feche os meus olhos,
                                              pois é muito longe e tão tarde!
                                              Pensei que era apenas demora
                                              e cantando pus-me a esperar-te.

                                               Permita que eu emudeça:
                                               que me conforme em ser sozinha.
                                               Há uma doce luz no silêncio,
                                               e a dor é de origem divina.

                                               Permita que eu volte o meu rosto
                                               para um céu maior que este mundo,
                                               e aprenda a ser dócil no sonho
                                                como as estrelas no seu rumo.

                                                                        Cecília Meireles



 

 

 



Meu Sonho
(Cecília Meireles)

Parei as águas do meu sonho
para teu rosto se mirar.
Mas só a sombra dos meus olhos
ficou por cima, a procurar...

Os pássaros da madrugada
não têm coragem de cantar,
vendo o meu sonho interminável
e a esperança do meu olhar.

Procurei-te em vão pela terra,
perto do céu, por sobre o mar.
Se não chegas nem pelo sonho,
por que insisto em te imaginar ?

Quando vierem fechar meus olhos,
talvez não se deixem fechar.
Talvez pensem que o tempo volta,
e que vens, se o tempo voltar
 
 
 


 

 
 


 

TO SAIL IS NECESSARY...

''There was a time when I could see a canal from my window. There was a boat swaying on the water.  A boat loaded with flowers.  What was the destination of those flowers? Who would buy them?  In what vase, in what room, and before whom would they shine, in their brief existence?  Whose hands had grown them? And who was going to smile with joy upon receiving them?  I was no longer a child, but my soul was completely happy.”


                    








French Poetry

 

 
 
 

 
 
 
 
L’amour perdu      

 Charlie Trapier

J’ai aime comme un reveur
Mais j’ai perdu ma fleur
et je regrette les odeurs du plaisir.

Maintenant l’orage est dans mon coeur et il ronfle,
Et mes larmes encercle mes paupieres qui gonfle.

La vie n’est pas une repetition [generale],
Mais les rue sont deserte dans la capital.

Je sais ce que j’avais et l’avenir est maigre
Ou sont toute les bonne femmes, ou se cache t’elle?

  

 

 

 

 

 
 
 

Ballade du Dernier Amour

 Charles Cros

Amours heureux ou malheureux,
Lourds regrets, satiété pire,

Yeux noirs veloutés, clairs yeux bleus,
Aux regards qu'on ne peut pas dire,
Cheveux noyant le démêloir
Couleur d'or, d'ébène ou de cuivre,
J'ai voulu tout voir, tout avoir
Je me suis trop hâté de vivre.

Je suis las. Plus d'amour. Je veux
Vivre seul, pour moi seul d'écrire
Jusqu'à l'odeur de tes cheveux,
Jusqu'à l'éclair de ton sourire,
Dire ton royal nonchaloir,
T'évoquer entière en un livre
Pur et vrai comme ton miroir,
Je me suis trop hâté de vivre.

En tes bras j'espérais pouvoir
Attendre l'heure qui délivre ;
Tu m'as pris mon tour. Au revoir.
Je me suis trop hâté de vivre.

 
 
 

 


 

 

 

        

  Modell DModell D

Clarice Lispector

Clarice Lispector

 
'' Mas há a vida
que é para ser
intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata''
 

PERFEIÇÃO 

 

O que me tranqüiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.

O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.

Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.

O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.

Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição

 

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Dá-me a tua mão

Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta. 

De como entrei 
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.

 

 

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MEU DEUS ME DE CORAGEM


Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.

 

 

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PRECE

 

 Alivia a minha alma,
faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha,
faze com que eu sinta que a morte não existe
porque na verdade já estamos na eternidade,
faze com que eu sinta que amar é não morrer,
que a entrega de si mesmo não significa a morte,
faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária,
faze com que eu não Te indague demais,
porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta,
faze com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer o beijo de sua mãe
e no entanto ele quer e no entanto o beijo é perfeito,
faze com que eu receba o mundo sem receio,
pois para esse mundo incompreensível eu fui criada
e eu mesma também incompreensível,
então é que há uma conexão entre esse mistério
do mundo e o nosso,
mas essa conexão não é clara para nós
enquanto quisermos entendê-la,
abençoa-me para que eu viva com alegria
 o pão que eu como,
o sono que durmo,
faze com que eu tenha caridade por mim mesma,
pois senão não poderei sentir que Deus me amou,
faze com que eu perca o pudor de desejar
que na hora de minha morte
haja uma mão humana amada
para apertar a minha,
Amém.

 
  CLARICE LISPECTOR 

 

 

                                                                            

Vinicius De Morais

 

 
 

SONETO DO AMOR TOTAL


Amo-te tanto meu amor...não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.



Amo-te afim, de um calmo amor prestante.
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.



Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.



E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar te mais do que pude

 
 

                                                                                 

                                


 

 
 
 
De Repente
 


De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

 
 
 

 


   

 
 
 
Soneto da Fidelidade
 
 
 
E tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meus pensamentos
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive)
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

 

 
 
 

                                   



CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

          


 
 
 
Ausência
 
 

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
 
ninguém a rouba mais de mim.

 

 
 
 
 
                                                                                                       

 

                                                            

  

 

 
 
 
                         
 
                        Inconfesso Desejo                      

Queria ter coragem
Para falar deste segredo
Queria poder declarar ao mundo
Este amor
Não me falta vontade
Não me falta desejo
Você é minha vontade
Meu maior desejo
Queria poder gritar
Esta loucura saudável
Que é estar em teus braços
Perdido pelos teus beijos
Sentindo-me louco de desejo
Queria recitar versos
Cantar aos quatros ventos
As palavras que brotam
Você é a inspiração
Minha motivação
Queria falar dos sonhos
Dizer os meus secretos desejos
Que é largar tudo
Para viver com você
Este inconfesso desejo
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MEMORIA
 

Amar o perdido deixa

confundido este coração.

Nada pode o ouvido contra

o sem sentido apelo do Não.

As coisas tangíveis tornam-se

insensíveis à palma da mão.

Mas as coisas findas,

 muito mais que lindas,

essas ficarão

 

 

Drummond

 
 
         
 

                                                                    

 
 

An Ox Looks At Man

They are more delicate even than shrubs and they run
and run from one side to the other, always forgetting
something.
Surely they lack I don’t know what
basic ingredient, though they present themselves
as noble or serious, at times.
Oh, terribly serious,
even tragic.
Poor things, one would say that they hear
neither the song of the air nor the secrets of hay;
likewise they seem not to see what is visible
and common to each of us, in space.
And they are sad,
and in the wake of sadness they come to cruelty.
All their expression lives in their eyes–and loses itself
to a simple lowering of lids, to a shadow.
And since there is little of the mountain about them –
nothing in the hair or in the terribly fragile limbs
but coldness and secrecy — it is impossible for them
to settle themselves into forms that are calm, lasting
and necessary.
They have, perhaps, a kind
of melancholy grace (one minute) and with this they allow
themselves to forget the problems
and translucent inner emptiness
that make them so poor and so lacking
when it comes to uttering silly and painful sounds:
desire, love, jealousy
(what do we know?) — sounds that scatter and fall in the field
like troubled stones and burn the herbs and the water,
and after this it is hard to keep chewing away at our truth.

by Carlos Drummond de Andrade


How to wake, to live

How to wake up without hurt?
Restart without horror?
My sleep carried me
to that kingdom where life is inexistent
and I remain inert without passion.

How to repeat, day after day,
the incomplete fable,
to bear the likeness of all rough things
of tomorrow with the harsh things today?

How to protect myself from wounds
that tear in me the events,
any event
that resembles the earth and its purple
madness?
And the one more wound inflicted by myself
every single hour - torturer
of the innocent that I am not?

No one answers, life is cruel.


 
 

                                                                              
 
 
 

In the Middle of the Road

In the middle of the road there was a stone
there was a stone in the middle of the road
there was a stone
in the middle of the road there was a stone.

Never should I forget this event
in the life of my fatigued retinas.
Never should I forget that in the middle of the road
there was a stone
there was a stone in the middle of the road
in the middle of the road there was a stone.

Original Portuguese:

"No meio do caminho"

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

 

Drummond

 
 
         
 

                                                                    

                                               

                                                                                                                   

                                           

 

 
 
 

The Great Pain of Things That Will Happen

 
 
The great pain of things that will happen
    turned into the most exquisite pleasure
    when among a thousand photos that were displayed,
    I had the grace and fortune of seeing you.

    The kisses and the loving that was loved
    recklessly from yours and my desire
    flowering once again, will shine
    in the misty light of daybreak.

    The blessed past which was so cruel
    and joyful today presents itself as tender
    and makes my voice resonate again.

    To exalt the resurrected love
    that feeds on memory images,
    changes the horror into sweetness.

 

 

Drummond

 
 
         
 

                                                                    

   

Written Musics

 


 
 

 

 

 

WRITTEN   MUSICS

  

Minha  Namorada

(Vinicius de Moraes)


Meu poeta, eu hoje estou contente, 
Todo mundo de repente
Ficou lindo, ficou lindo de morrer
Eu hoje estou me rindo, nem eu mesma sei de quê
Porque eu recebi uma cartinhazinha de você.

Se você quer ser minha namorada,
Ai que linda namo ... rada
Você poderia ser, se quiser ser somente minha
Exatamente esta coisinha, esta coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer um juramento 
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho 
De falar devagarinho
Essas estórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho 
Sem ninguém saber por que
E se mais do que minha namorada, 
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada prá valer
Aquela amada pelo amor predestinada, 
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo em meu caminho,
E talvez o meu caminho seja triste prá você
Os seus olhos têm de ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho no silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira no infinito de nós dois

 

 

_________________________________________________________________ 

 
 

DESAFINADO
Tom Jobim
Se você disser que eu desafino amor
Saiba que isso em mim provoca imensa dor
Só privilegiados têm ouvido igual ao seu
Eu possuo apenas o que Deus me deu
Se você insiste em classificar
Meu comportamento de antimusical
Eu, mesmo mentindo devo argumentar
Que isto é bossa nova
Que isto é muito natural
O que você não sabe, nem sequer pressente
É que os desafinados também têm um coração
Fotografei você na minha Rolleiflex
Revelou-se a sua enorme ingratidão

Só não poderá falar assim do meu amor
Este é o maior que você pode encontrar, viu/
Você com a sua música esqueceu o principal
Que no peito dos desafinados
No fundo do peito bate calado
Que no peito dos desafinados
Também bate um coração

 
 
 
 
 
EU SEI QUE VOU TE AMAR
Tom Jobim
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida, eu vou te amar
Em cada despedida, eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Prá te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida

 
 
 LUIZA
Tom Jobim
 
   ( Essa   copio  para  a minha MAE Luiza)
 
Rua,
Espada nua
Boia no céu imensa e amarela
Tão redonda a lua
Como flutua
Vem navegando o azul do firmamento
E no silêncio lento
Um trovador, cheio de estrelas
Escuta agora a canção que eu fiz
Pra te esquecer Luiza
Eu sou apenas um pobre amador
Apaixonado
Um aprendiz do teu amor
Acorda amor
Que eu sei que embaixo desta neve mora um coração

Vem cá, Luiza
Me dá tua mão
O teu desejo é sempre o meu desejo
Vem, me exorciza
Dá-me tua boca
E a rosa louca
Vem me dar um beijo
E um raio de sol
Nos teus cabelos
Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar Luiza
Luiza
 
 
VOCÊ É LINDA
Caetano Veloso

 Fonte de mel uns olhos de gueixa
Kabuki , máscara , choque entre o azul
E o cacho de acácias , luz das acácias
Você é mãe do sol
A sua coisa é toda tão certa
Beleza esperta
Você me deixa a rua deserta, quando atravessa
E não olha pra traz

Linda e sabe viver , você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer e diz
Você é linda mais que demais, você é linda sim
Onda do mar, do amor que bateu em mim

Você é forte em dentes e músculos
Peitos e lábios
Você é forte em letras e músicas
Todas as músicas que ainda hei de ouvir
No Abaeté areias e estrelas
Não são mais belas
Do que você mulher das estrelas
Mina de estrelas, diga o que você quer

Gosto de ver você no seu ritmo
Dona do carnaval
Gosto de ter , sentir teu estilo ,e no seu intimo 
Nunca me faça mal

 

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&; Pela Luz dos Olhos Teus
Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só pra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.
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The girl from Ipanema
  Tom Jobim e Vinicius
 
Tall and tan and young and lovely
The girl from Ipanema goes walking
And when she passes, each one she passes goes "a-a-ah!"
When she walks she's like a samba that
Swings so cool and sways so gentle,
That when she passes, each one she passes goes "a-a-ah!"
Oh, but I watch her so sadly
How can I tell her I love her?
Yes, I would give my heart gladly
But each day when she walks to the sea
She looks straight ahead not at me
Tall and tan and young and lovely
The girl from Ipanema goes walking
And when she passes I smile, but she doesn't see
She just doesn't see
No she doesn't see
 xxx       xxx
 
Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
Num doce balanço, a caminho do mar
Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar

Ah, porque estou tão sozinho
Ah, porque tudo é tão triste
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha

Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo sorrindo se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor
 
   

 

 


 

 


Poesias outras

 

Here I love you.

Here I love you.
In the dark pines the wind disentangles itself.
The moon glows like phosphorous on the vagrant waters.
Days, all one kind, go chasing each other.

The snow unfurls in dancing figures.
A silver gull slips down from the west.
Sometimes a sail. High, high stars.
Oh the black cross of a ship.
Alone.


Sometimes I get up early and even my soul is wet.
Far away the sea sounds and resounds.
This is a port.

Here I love you.
Here I love you and the horizon hides you in vain.
I love you still among these cold things.
Sometimes my kisses go on those heavy vessels
that cross the sea towards no arrival.
I see myself forgotten like those old anchors.

The piers sadden when the afternoon moors there.
My life grows tired, hungry to no purpose.
I love what I do not have. You are so far.
My loathing wrestles with the slow twilights.
But night comes and starts to sing to me.

The moon turns its clockwork dream.
The biggest stars look at me with your eyes.
And as I love you, the pines in the wind
want to sing your name with their leaves of wire.

by Pablo Neruda
        

                                                                        

 
 
 
 
 
 
*** VERSOS ÍNTIMOS ***
 
 
Vês?!  Ninguém assistiu ao formidável 
Enterro de tua última quimera. 
Somente a Ingratidão — esta pantera — 
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera! 
O Homem, que, nesta terra miserável, 
Mora, entre feras, sente inevitável 
Necessidade de também ser fera. 
Toma um fósforo.  Acende teu cigarro! 
O beijo, amigo, é a véspera do escarro, 
A mão que afaga é a mesma que apedreja. 
Se a alguém causa inda pena a tua chaga, 
Apedreja essa mão vil que te afaga, 
Escarra nessa boca que te beija!
 

(Augusto dos Anjos)
 
 

POEMS BY HEINRICH HEINE


 (non-literal translation in verse by Hal Draper:)

My darling, we sat together,

We two, in our frail boat;

The night was calm o'er the wide sea

Whereon we were afloat.

 

The Specter-Island, the lovely,

Lay dim in the moon's mild glance;

There sounded sweetest music,

There waved the shadowy dance.

 

It sounded sweeter and sweeter,

It waved there to and fro;

But we slid past forlornly

Upon the great sea-flow.



 

Ich hatte einst ein schönes Vaterland.

Der Eichenbaum

Wuchs dort so hoch, die Veilchen nickten sanft.

Es war ein Traum.

Das küßte mich auf deutsch, und sprach auf deutsch

(Man glaubt es kaum,

Wie gut es klang) das Wort: »Ich liebe dich!«

Es war ein Traum.

 

I once had a beautiful fatherland.

The oak

Grew there so high, the violets gently nodded.

It was a dream.

It kissed me in German it spoke in German

(One can hardly believe it,

It sounded so good) the phrase: "I love you!"

It was a dream.

 

 

 

 

 

Allnächtlich im Traume seh ich dich,

Und sehe dich freundlich grüßen,

Und lautaufweinend stürz ich mich

Zu deinen süßen Füßen.

Du siehst mich an wehmütiglich,

Und schüttelst das blonde Köpfchen;

Aus deinen Augen schleichen sich

Die Perlentränentröpfchen.

Du sagst mir heimlich ein leises Wort,

Und gibst mir den Strauß von Zypressen.

Ich wache auf, und der Strauß ist fort,

Und das Wort hab ich vergessen.


Nightly I see you in dreams-you speak,

With kindliness sincerest,

I throw myself, weeping aloud and weak

At your sweet feet, my dearest.

You look at me with wistful woe,

And shake your golden curls;

And stealing from your eyes there flow

The teardrops like to pearls.

You breathe in my ear a secret word,

A garland of cypress for token.

I wake; it is gone; the dream is blurred,

And forgotten the word that was spoken



Goodbye  - Castro Alves



GOODBYE - O ungrateful child!
You said to me - goodbye -?
Madness! better it would be
To separate the land from the skies.

- Goodbye - somber word!
Of a frozen and cold soul
You are the last flower.

- Goodbye! - misery! lie
Of a breast that does not sigh,
Of a heart without love.

O Lord! The wasteland bird
dies without a mate.
The lightning that burns the cedar
Burnt the parasite.

The star flirts with the dew:
- One is the star of the twig,
- The other is the dew of the amplitude.

But, at the light of the rising sun,
The star - in the west dies!
The dew - dies in the soil!

Never the fogs of the valley
Learnt how to say - goodbye -
If together they ascend from the ground,
Together they are lost in skies.

The wave dies on the shore…
But another wave comes soon
To die of the same pain…

- Goodbye - somber word!
Do not say - goodbye -, Maria!
Or do not speak to me of love!


O Navio Negreiro Part 1

‘Stamos em pleno mar… Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm… cansam
Como turba de infantes inquieta.

'Stamos em pleno mar… Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro…
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do liquido tesouro…

'Stamos em pleno mar… Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, placidos, sublimes…
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?…

‘Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas…

Donde vem? onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tao grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas nao deixam traço.

Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento…
E no mar e no céu — a imensidade!

Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!

Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!

Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia,
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia…

Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pavido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!

Albatroz! Albatroz! aguia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz!
Albatroz! da-me estas asas.



English Translation
We are on the high sea… Mad in space
The moonlight plays — golden butterfly;
And the waves run after it. . . tiring
As a band of frenzied infants.

We are on the high sea… From the firmament
The stars jump like foam of gold. . .
The sea in exchange lights phosphorescence,
— Constellations of liquid treasure…

We are on the high sea… Two infinites
There narrowed in an insane embrace,
Blue, golden, placid, sublime..
Which of the two is ocean? Which sky?…

We are on the high sea.. . Opening the sails,
To the warm breath of the maritime winds,
Sail-boat brig runs to the flower of the seas
Like the swallows brush in the wave…

From where do you come? Where do you go? Of the wandering ships
Who knows the course if the space is so immense?
On this Sahara wild horses the dust raise,
Gallop, soar, but leave no trace.

Happy the one who can there, at that hour,
Feel from this panel the majesty!
Below — the sea, above — the firmament!…
And in the sea and in the sky — the immensity!

Oh! what sweet harmony the breeze brings to me!
What soft music from distance sounds!
My God! how sublime an ardent song is
Through the endless waves drifting without destiny !

Men of the sea! Oh rude sailors,
Toasted by the sun of the four worlds!
Children who the storms lull to sleep
In the cradle of these deep abysses!

Wait! wait! let me drink
This wild, free poetry,
Orchestra — is the sea, that roars by the prow
And the wind, that whistles in the ropes.

Why do you retreat so, sprightly boat?
Why do you evade the diffident poet?
Oh! if I only could follow your course
That reflects on the sea— mad comet!

Albatross! Albatross! Eagle of the ocean,
You who sleep in the mist of the clouds,
Shake your feathers, leviathan of space
Albatross! Albatross! give me those wings.



 (Yde Schloenbach)  

Foi numa tarde assim. O vento soluçava
Agoirando do inverno a lúgubre hospedagem
No céu pálido, branco, há muito não rodava
Do sol a luminosa e rútila equipagem.

A derradeira flor, no jardim desfolhava
Sua pétalas. Era inóspita a paisagem
Em tudo uma tristeza imorredoira errava
Meu Deus! Que dolorosa e tristonha miragem!

E eu, sonhando, revia em meu dourado sonho,
O meu viver tranqüilo, o meu viver risonho,
Tento junto de mim o teu amor calmo e terno.

Reinava um frio intenso...e tu partiste, envolto
Num último sorriso a murmurar "eu volto"
E não voltaste mais! Voltou somente o inverno...
 
 


 FELICIDADE REALISTA

(Mário Quintana)

A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável,

mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.

Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel,

a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.

E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar,

dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando.

Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo.

Queremos estar visceralmente apaixonados,

queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados,

queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo,

queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.

Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade.

Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum.

Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção.

Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando.

Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado.

E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda,

buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável.

Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno.

Olhe para o relógio: hora de acordar.

É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza,

instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente.

A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio.

Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a.

Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.

Faça o que for necessário para ser feliz.

Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples,

você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.

Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração.

Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.

 

        


 


 

 

 







 

Solange Lopes

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